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Porque o PCP chama “poder local democrático” às suas autarquias?

poder local

A democracia comunista nas autarquias CDU é um engodo nacional, mas, quando assistimos às comemorações do 25 de Abril, observamos os discursos dos autarcas, sempre com uma voz em off, a apregoar aos quatro cantos do país “o valor e a importância do poder local democrático enquanto conquista de Abril”.
 
Veio à cabeça a ideia da vontade que tenho de perguntar a Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral do PCP, o que é realmente a democracia para um comunista, e porque o PCP fala tanto na sua importância se nunca a praticou ou porque em 2017 teve a sua maior derrota histórica nas eleições autárquicas, perdendo cerca de 9 Câmaras para o Partido Socialista.
 
Claro que nunca vou obter alguma resposta para esta questão, no mínimo será sempre respondida pelos seus capangas com ameaças e insultos, com o apoio de toda a militância comunista empregada nas autarquias CDU, que, em uníssono, fazem o indispensável culto de personalidade aos autarcas que se candidatam, passando a ideia incondicional comunitária de que são todos “gente séria, trabalhadora e honesta”, humilhando e difamando quem discordar.
 
A verdade, é que todas as ditaduras de inspiração marxista gostam de ter a palavra ‘Democrática’ no nome para persuadir e impressionar o exterior.
 
Essa estratégia para criar uma percepção mundial de que os povos oprimidos nos regimes comunistas vivem em democracia, foi inventada por Ho Chi Minh, quando foi proclamada a República Democrática do Vietname, em 1945.
 
Na declaração de independência do Vietname, “Tio Ho” anunciou o início da Independência dos EUA, país que fundamenta a mais antiga e estável democracia do mundo: “Todos os homens foram criados iguais, dotados pelo criador de certos direitos inalienáveis, que, entre estes, estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade”.
 
Na reforma agrária ordenada por Ho Chi Minh, poucos anos depois, o “exército do povo” executou quase 18.000 vietnamitas, sem qualquer julgamento ou justificação. As estimativas das vítimas do Partido Comunista Vietnamita são de 1 milhão de pessoas.
 
Em 1948, nasceu a República Popular Democrática da Coreia, a Coreia do Norte. “O Partido dos Trabalhadores achava que o regime comunista servia ao povo, embora o conceito de democracia deles não permitisse disputas entre partidos“, diz o historiador americano Charles Armstrong, da Universidade Columbia e especialista nas Coreias.
 
A República Democrática do Vietname trocou o adjectivo “democrática” por “socialista” em 1976 mas o regime manteve-se.
 
Em 1949 surgiu a República Democrática Alemã (RDA), ou Alemanha Oriental.
A República Democrática Alemã deixou de existir em 1990, com a reunificação do país.

 
Além da Coreia do Norte, hoje ainda trazem o adjectivo “Democrática” nos seus nomes oficiais os países: Argélia, Congo, Etiópia, Laos, Nepal, São Tomé e Príncipe, Sri Lanka e Timor-Leste.
 
Todos enfrentaram as mesmas experiências. Os comunistas perseguiram os que se opunham a eles, fecharam jornais, eliminaram partidos políticos, confiscaram propriedades e empobreceram as populações para controlarem melhor os regimes. Eles fundiram o poder económico e o poder político enquanto mentiam às comunidades e diziam que faziam isso em nome do povo e para o bem geral. Os grandes “exploradores capitalistas” que “oprimiam” os trabalhadores passaram a ser, efectivamente, os dirigentes comunistas e o próprio Estado. A fusão do poder económico com o poder político é a base de uma ditadura comunista. Ninguém pode correr para mais nenhum lado se não para o Estado. Todos são obrigados a aceitar tudo o que o mesmo decreta e impõe, sem poder reclamar ou virar-se para o sector privado
 
A China, ou República Popular da China, não tem a palavra “democrática” no seu nome oficial, mas traz o conceito de uma “ditadura democrática” no Artigo 1 da Constituição: “A República Popular da China é um Estado socialista sob a ditadura democrática do povo, liderada pela classe trabalhadora e baseada na aliança entre operários e camponeses”.