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Estratégia comunista internacional passa por capturar partidos dos governos e adquirir empresas

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O investimento em Portugal pode ser estratégico. Há um interesse significativo da China na plataforma continental portuguesa. Nos últimos anos surgiram privatizações em sectores estratégicos que caíram em mãos estrangeiras. CTT, EDP e REN são alguns exemplos.
 
A cooperação entre a Rússia e China, numa aliança económica e militar (Shanghai Cooperation Organization), sinaliza que um novo paradigma está em formação, podendo alterar a situação global de forma política e estratégica.
 
Dos demais objectivos comunistas internacionais, que foram trazidos a público por Cleon Skonsen, inspector do FBI e que continuam há mais de meio século sem tradução para o português e quase desconhecidos em Portugal, muitos, já foram consumados na América e Europa ou estão em processo muito avançado
 
Destaque para as metas comunistas internacionais número 15 e 37, que passam por capturar partidos do governo e adquirir empresas.
 

Os comunistas nunca desistem

Miguel Santos Neves, investigador e especialista em assuntos chineses, destaca que Portugal e a UE estão a olhar passivamente para o investimento chinês, sem uma resposta adequada às acções concertadas do gigante asiático.
 
Doutorado pela London School of Economics and Political Science em relações internacionais e direito internacional, começou a estudar os assuntos chineses na década de 90, acompanhando de perto a transição de Macau e Hong-Kong para a China. Recentemente, publicou com Annette Bongardt um trabalho fundamental para perceber o actual quadro dos investimentos chineses e da comunidade deste país em Portugal.
 
Para este investigador da Associação de Estudos Estratégicos Internacionais (NSIS, na sigla em inglês) e professor na Universidade Autónoma de Lisboa, que tem desempenhado as funções de director dos programas “Ásia e Migrações” do Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais, Portugal está a aderir por completo na estratégia da China em relação à Europa, que passa por “dividir e reinar”.
 
Ao vender a EDP e a REN a empresas estatais chinesas, que aproveitaram as brechas abertas pela crise financeira, o país, que faz parte de uma estratégia chinesa muito mais abrangente, perde relevância.
 
Vlademir Lenine

«Critica-os do que tu és, acusa-os do que tu fazes» – Vlademir Lenine, revolucionário comunista, teórico político russo e uma das principais referências do PCP


No quadro de relacionamento entre Portugal e a China houve uma fase completamente centrada na questão de Macau, até à transição. Depois há outra fase, de relativo declínio, sem essa componente política e com relações económicas marginais entre os Estados.
 
E, desde o final da década de 2000, começou a haver uma transformação muito significativa que resultou da confluência de dois factores: por um lado, a crise económica e financeira [a nível mundial], seguida da crise na zona euro e da necessidade de ajustamento em Portugal e, por outro lado, uma aceleração do processo “go global” da China, lançado no início da década de 2000.
 
Estes dois processos cruzaram-se em Portugal, com as oportunidades de investimento que resultaram do programa de privatizações, e a intenção que a China tem de se envolver também em zonas de interesse português, o espaço lusófono, como Brasil, Angola e Moçambique.
 
Além disso, a China vinha à procura de um conjunto de activos que permitissem às suas empresas campeãs uma consolidação da posição na economia global. Há de facto uma mudança qualitativa no relacionamento entre os dois países desde 2011, por duas razões. Verifica-se uma intensificação dos fluxos económicos, sem precedentes, entre os dois países, com a China a ter uma posição marcante em vários sectores estratégicos.
 
E isso não parou, está agora a começar.
 

In O Público