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Carnaval de Sesimbra: O investimento promíscuo que impede o desenvolvimento local

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O investimento milionário do Carnaval de Sesimbra e atribuição de quantias avultadas anualmente aos que preparam este evento, tem sido alegadamente justificado ao público pela autarquia, como um investimento dinamizador da economia local que atrai milhares de visitantes nessa época festiva.
 
Após as declarações na Sesimbra FM de Ana Cruz, presidente da junta de freguesia de Santiago (CDU), funções que acumula com o cargo de Secretária numa das escolas de Samba, não ficou margem para dúvidas, de que, existem forças superiores que sobrepõem o Carnaval às necessidades do Concelho por ser gratificante para algumas pessoas.
 
O Carnaval de Sesimbra, trata-se de um investimento promíscuo pago pelo Erário público que visa a rentabilização destas colectividades e a sua exploração como bar ou café, isentas de IMI.
 
Efectuam-se outros negócios ocasionais que estão associados ao Carnaval e a outros eventos culturais.
 
Será que os contribuintes que passam por dificuldades, as pessoas que ajudaram estas associações a se desenvolverem com o dinheiro dos impostos e que foram lesadas na sua qualidade de vida, têm hoje direitos sobre esses lucros? Quais?
 
Ana Cruz, admitiu em directo à Rádio local que, a escola de samba que representa, estaria a poupar e a juntar para um dia possuir o seu próprio património.
 
São proporcionados aos predestinados e já escolhidos prestadores de serviços envolvidos neste evento, bastantes lucros com os preparos da festa.
 
Só neste ano de 2015, a autarquia de Sesimbra, disponibilizou 85 mil euros para o Carnaval, tendo esse subsídio anual, passado confortavelmente os 100 mil euros em anos anteriores. Este ano, quatro escolas de samba receberam mais 25 % de majoração que o ano passado para enquadrarem a campanha “Sesimbra é peixe” no corso carnavalesco.
 
Quantia essa, atribuída e justificada por Felícia Costa (CDU), Vice-presidente da Câmara de Sesimbra, como uma forma de promover o peixe de Sesimbra aos foliões atraídos pelo Carnaval e de ajudar financeiramente as escolas de samba ao mesmo tempo. A autarca desvalorizou as críticas nas redes sociais sobre a fraca qualidade dos Cartazes promocionais do Carnaval e ainda ignorou totalmente a insatisfação geral da concessão de parquímetros na zona central da vila de Sesimbra.
 
O excesso de parquímetros em Sesimbra está relacionado com a dívida contraída pela Câmara Municipal devido ao investimento do Carnaval
 
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A campanha “Sesimbra é peixe”, é uma estratégia de marketing que está a resumir Sesimbra apenas a peixe, por estarem envolvidos interesses financeiros e lucrativos relacionados com desportos náuticos, que através de uma projecção municipal, alguns empresários são facilitados no seu sector de actividade comercial
 
A vereadora da Cultura, disse ainda à Sesimbra FM que, do orçamento municipal, pouco dinheiro sobrava para publicidade ou para promover a região através de meios eficazes. Declarações estas, que entraram em controvérsia pelo facto da autarquia ter aplicado este ano ainda mais receitas nas Associações de Samba que o habitual para efeitos promocionais e devido ao concurso “Sesimbra é peixe e arte em rua” que chegou à terceira edição, cada, com um prémio de 500 euros para o vencedor e de 50 euros para os participantes.
 
Ninguém visita exclusivamente Sesimbra ou outra localidade para ver obras de arte decorativas de artistas desconhecidos.
 
O concurso de arte “Sesimbra é peixe e arte em rua”, é também financiado com dinheiros públicos de receitas que estariam destinadas ao turismo e à promoção de Sesimbra, tendo sido fundamentado e justificado institucionalmente, como uma forma de promover as características e identidade de Sesimbra “cá dentro”, tal como a majoração dada pela Câmara às escolas de samba este ano.
 
Será que promover o peixe de Sesimbra no desfile de Carnaval em Sesimbra faz sentido? Não, e se fizesse, ninguém faria melhor essa tarefa que os próprios pescadores e restaurantes quando expõem ou vendem o peixe.

 
Porque essas verbas foram aplicadas ao Carnaval e em concursos de arte com prémios em numerário de quantias consideráveis em nome do turismo? Se não possuem o devido retorno para o comércio local?
 
Felícia Costa referiu também que, as reportagens na TV são bastante caras e mais uma vez fez de conta que a Sesimbra Cultural não existe, apesar das necessidades comunitárias promocionais e dos potenciais do site, aleatórios à promoção de Sesimbra ao exterior. A Sesimbra Cultural ao atrair turistas para a região, já deu a ganhar bastante a muitos empresários de hotelaria, restauração e animação turística em Sesimbra.
 
Apenas reforça a posição de boicote da autarquia a este site que está a ser posta em prática desde o inicio do projecto.
 
Sendo neste momento, o meio de comunicação concelhio com mais público. Com mais público que as rádios e os jornais locais subsidiados pela autarquia, além de ser um meio imprescindível neste momento a Sesimbra. A autarquia de Sesimbra nunca possuiu recursos humanos e meios que contornem as necessidades de difusão ao exterior nem está a acompanhar o avanço tecnológico na área da comunicação da melhor forma. E isso trouxe consequências.
 
Os contribuintes estão a ser lesados pela autarquia por não disponibilizar as melhores opções aos munícipes.
 
O nosso site é um exemplo disso…
 
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Só o facto de uma simples congrulatação da autarquia nunca ter existido tal como o seu devido reconhecimento, deita por terra qualquer distorção da verdade ou fundamento que possa ser dado como justificação e põe em causa a seriedade, o profissionalismo, os objectivos e as pretensões dos eleitos da CDU.
 
O turismo, que apesar de ser uma prioridade afirmada nas campanhas eleitorais, tem vindo a diminuir. Não só pelo fenómeno da crise mas também por incúria e negligência face a outros sectores que se desequilibraram a médio prazo pela febre do Carnaval.
 
Este ano, alguns empresários voltaram a sentir uma quebra de 25% face aos lucros do ano anterior.
 
O dia mais movimentado acabou por ser novamente a Segunda-feira que, desde 1999, acolhe uma das maiores concentrações de palhaços do mundo. O corso de palhaços envolve poucos custos, ao contrário do desfile das escolas de samba que têm vindo a ser cada vez menos vistas a desfilar e absorvem uma quantia anual de muitos milhares de euros que pesa bastante no orçamento municipal e condiciona significativamente o desenvolvimento de todos os outros sectores.
 
As noites de folia tendem em acabar cada vez mais cedo. São sinais dos tempos que correm devido à contenção de gastos da população. De ano para ano, é notável a redução de foliões que percorrem bares e colectividades.
 
Em Sesimbra, pretende-se que seja Carnaval o maior número de dias possível para se tirar o máximo proveito. Os brasileiros acabam por se sentir em casa e os portugueses por se sentir no Brasil.
 
Realiza-se um desfile de Carnaval no Verão. As associações preparam outros eventos carnavalescos durante a época balnear e é impingida música brasileira em alguns bares e sobretudo na via pública.
 
Muitos dos residentes e turistas, começam a achar tanto Carnaval desadequado. No Verão as pessoas não gostam de ouvir muito barulho, vêm para descansar, fazer praia e passear à noite. Além de desvalorizar as características, o património e identidade da vila, desvaloriza a própria cultura de Sesimbra.
 
Há mais de 15 anos que o Carnaval em Sesimbra tem vindo a baixar o seu número de foliões, aparentando ser para a autarquia, mais importante do que qualquer entidade de ajuda humanitária ou social.
 
É com regularidade que são pedidos aos munícipes voluntariados em limpezas de praias, para monitorizarem eventos de angariação de fundos e para doarem bens alimentares e outros a instituições de carência social.

 
Curiosamente, no discurso de ano novo, Augusto Pólvora, Presidente da Câmara Municipal de Sesimbra (CDU), referiu que, em 2014, a autarquia apoiou as “famílias mais favorecidas”.