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Brigada da GNR invade propriedade errada e algema violentamente mulher inocente

SHEILA

Esta semana, uma mulher em Alcochete foi vítima de um grave erro de uma brigada de investigação criminal da GNR. Cheila Silva, estava na sua residência quando um grupo de homens encapuzados invadiu a sua casa e lhe algemou com alguma brutalidade. Deixamos os relatos da moradora na primeira pessoa que circulam pelas redes sociais.
 
 

“Ontem apanhei o susto da minha vida”

 
“Foi tão grande que quis esquecer tudo e não falar sobre nada. Tomei uns calmantes que me mantiveram tão calma que decidi desculpar tudo… Mas hoje, acordei e pensei…Grande cena, aconteceu mesmo!
 
Não dormi quase nada a pensar nisto, sonhei com isto e não posso ficar calada!
 
Eu tinha acabado de me levantar, estava no corredor porque ia a cozinha, ainda meio ensonada, e ouço aquilo que me parece uma explosão.. dou um pulo e vejo uma mão cheia de homens encapuçados entrarem pela casa dentro.. o meu primeiro pensamento foi que eram ladrões.
 
Fugi para a cozinha e com o pânico, aos gritos Amaranhei, ou tentei amaranhar, por uma parede, quando me viro de frente só vi luzes que me ofuscavam apontadas a minha cara e canos de metralhadoras…. pensei “isto não está a acontecer” e gritei “isto é alguma partida? é algum treino?”
 
Eu estava em pânico, gritaram me que me deitasse no chão, só depois de me deitar no chão, por não ter as luzes apontadas aos olhos consegui perceber que aquilo eram fardas percebi que os senhores encapuçados tinham a sigla GNR na roupa. pensei “passa se qualquer coisa na rua e vieram ajudar me. deitei me no chão enquanto gritava” eu deito mas expliquem me por favor, expliquem me, expliquem me”
 
Estava apavorada mas mais calma por perceber que eram polícias e não ladrões. quando oiço um grito forte e duro “algemem-na” aí nesse instante parei de gritar.
 
 
“Mãos atrás das costas!” – gritaram eles

 
“Eu meti as mãos atrás das costas e com toda a calma do mundo eu perguntei “Calma? Algemem-na? Porque? deixem-me ir buscar os documentos. deixem-me identificar-me. eu nem sou a proprietária da casa, é alugada!” – ao que gritam “calada!”
 
“Apertem bem as algemas!” – voltei a entrar em pânico e retomei os gritos.
 
“Deixem-me ir buscar os meus documentos por favor” e voltaram a gritar “cale-se! Não tem que falar”, “já vai falar onde tem de falar”.
 
Eu respondi, “Mas daqui a pouco tempo tenho que ir buscar o meu filho à escola, deixe-me ligar a alguém”.
 
“Calada!” – entrei em pânico, não sabia o que fazer, não sabia o que se passava o que ia acontecer, o que queriam fazer não sabia porque me estavam a fazer aquilo. Depois de revistarem a casa, ouço gritar “Levem-na!” – fiquei ainda pior.
 
Levantaram-me do chão, pegaram-me pelos braços e arrastaram-me pelo corredor. eu esperneei e gritei – “por favor, não! eu tenho um filho, isto é uma vergonha. Assim não! deixem-me vestir! pelo menos vestir”.
 
Eu estava descalça, com uns calções e uma t-shirt de pijama. quando estavam prestes a sair comigo a rua naquele estado.
 
Mas parece que me fiz ouvir. Alguém me puxou de forma bruta para a sala que fica em frente à porta da rua, puxou uma cadeira e sentou me.
 
Um dos polícias mascarados, gritou” como é que se chama? ” – eu dei a resposta, tremia por todos os lados. ” Cheila. eu chamo me Cheila ” e gritaram – “onde está?” – perguntaram-me por um homem.
 
Na minha casa o único homem e o meu filho. Eu não respondi logo, primeiro ri, ri-me tanto por perceber que tudo iria ficar esclarecido.
 
Depois de rir, eu respondi “não é nesta casa! não vive cá nenhum homem!” – eles perceberam que estavam na casa errada e foram para outra casa.
 
No entanto, continuei naquela cadeira, sentada e algemada porque diziam eles – “o protocolo deve ser seguido até ao fim”
 
Eu pedi por favor para me tirarem as algemas disse que estava demasiado exaltada e que a mão estava dormente. responderam que não podiam até se esclarecer tudo.
 
Mantiveram-me algemada naquela cadeira – olhei para trás e vi a minha mão rocha disse “Estou a ficar com a mão rocha, não podem alargar?”
 
Responderam me que não, disseram que iam chamar o cabo da operação. Enquanto permanecia algemada explico- me que esta era uma investigação que vinha de há muitos meses e que tinha havido um engano.
 
Eu disse – “então já me podem tirar as algemas?!” – respondeu-me que já as tirava e que seria só mais um bocado.
 
Disse-me que se eu não me mexesse as algemas não me aleijariam tanto até aparecer um senhor que gritou “Desalgemem a rapariga” e desalgemaram-me.
 
SHEILA

Marcas de algemas nos pulsos de Cheila Silva

 
 
Por fim, perguntaram se precisava de ir a um hospital. Disseram que pagariam os estragos e que estavam preocupados comigo.
 
Perguntaram se lhe tinham aleijado, se estava tudo bem mas a moradora apenas pretendia ir para a casa da sua irmã que lhe deu alguns calmantes.
 
 

“Foi a pior experiência que já passei”

 
“E se ontem eu não queria tocar neste assunto, hoje só quero que sejam repreendidos.
 
É verdade que depois foram simpáticos mas não se faz. Isto não pode acontecer, o meu filho estava na escola mas podia estar em casa.
 
Não pode ser, foi por muito pouco que não sai à rua naqueles trajes e algemada. E só não aconteceu porque não me calei como ordenaram”
 
A moradora expôs publicamente o caso nas redes sociais, sente-se indignada com o susto e afirma que este tipo de situações não podem voltar a acontecer
 
A família da Cheila Silva, já falou com o responsável pela respectiva operação e irá participar o caso às entidades competentes. “Para eles foi só uma operação calma em que tiveram uma entrada fácil numa casa onde não foi oferecida resistência” – conta a moradora.
 
“Para mim, foi um filme de terror que nunca mais acabava. Isto não pode ficar assim!!! (…) tem havido mais gente a relatar casos destes. Ouvi alguém dizer e é verdade” Dão armas a quem não sabe ler?” – questiona ainda Cheila Silva.