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O alerta de Cavaco Silva para o risco de implosão do actual regime e o futuro de Portugal

cavaco

Aníbal Cavaco Silva, chefe de Estado português, quebrou o silêncio no passado dia 5 de Outubro e falou para os portugueses durante mais uma comemoração da implantação da República em Portugal. O Presidente apelou para que todos os partidos reflectissem sobre a realidade política em Portugal e para urgentemente se chegar a um consenso entre todos de modo a subtrair os níveis de abstenção causada pela insatisfação com a classe política. Alertou ainda que actualmente, o sistema partidário ou regime corre risco de implosão.
 
“Por isso, é urgente procedermos a uma reflexão séria sobre o regime político português e encontrarmos em conjunto soluções para os problemas que afetam a governabilidade da nossa República.”
 
“Como o demonstram sucessivos estudos e inquéritos levados a cabo por entidades credíveis e independentes, os Portugueses são dos povos da União Europeia que demonstram maiores níveis de insatisfação com o regime em que vivem.” – Foram também outras declarações de Cavaco Silva durante o seu discurso.
 
Em resposta, na comunicação social, os líderes parlamentares partidários culparam o Presidente da República da actual situação por ignorar as competências pelas quais tinha sido eleito. Mas na verdade, os interesses de qualquer partido sempre foram somente o corporativismo e não os do povo, segundo as políticas partidárias aplicadas nos últimos 40 anos pelos mais diversos partidos nos governos e autarquias.
 
Os portugueses já descobriram que na União Europeia os únicos países mergulhados na crise são apenas os que possuem os índices mais elevados de corrupção.
 
 
ditadura
 
Podiamos inventar um partido cheio de boas intenções, mas neste formato democrático o resultado cairá nos mesmos erros estruturais de sempre. Está comprovado que instalar estas organizações partidárias de qualquer natureza num parlamento constitui hoje uma das maiores inutilidades sociais.
 
A maioria da população portuguesa já não acredita em partidos, pois após o voto a vontade popular é sempre subtraída.
 
Se tu és um eleitor que defende este modelo de organização política, mas que não votaste PSD, não tens legitimidade quando reclamas do governo. Afinal tu, ao teres votado em alguém “PS, PCP, BE, PAN, VERDES e outros” demonstraste concordar com a condição de que irias aceitar o resultado das eleições independentemente de quem fosse o vencedor.
 
Os conceitos de Esquerda e Direita não passam de engenharias ideológicas para nos manterem polarizados e subservientes a quem se profissionalizou a defender uma medida por oposição a outra e pretende chamar a isso a responsabilidade de decidir por ti.
 
É importante não esquecer que votar é legitimar a democracia representativa que mente, engana e escraviza o povo.
 
Antes de 1974 o Salazarismo aguentou décadas porque tinha apoiantes tal como tu apoias hoje esta democracia. Se parares de votar eles param de “roubar” – votar é desculpar os últimos quatro anos de governação e legitimar mais quatro de “corrupção”.
 
Torna-se assim necessário banir o formato clássico da actividade partidária, opaca e ludibriante, quer nos círculos governamentais quer municipais. Não existem partidos de democracia participativa, numa Democracia Participativa, os partidos não escolhem os governantes nem se candidatam a eleições, muito menos terão o monopólio da governação, pois são os mestre da propaganda.
 
A propaganda política não é bem vinda “numa Democracia directa-participativa” porque é um modelo de comunicação fingido e evasivo que cria um mundo metafórico despertando mais os sentimentos que a inteligência. Importa erradicar esses privilégios “propaganda” altamente dispendiosos e nocivos, por ser a forma mais perversa de embriagar o povo e as suas decisões.
 
Se não nos libertamos deste modelo de democracia representativa espera-nos o capítulo mais penoso e vergonhoso de toda a história de Portugal e a humilhação das gerações futuras. Se nos mantivermos inertes a este modelo de governação, será certo que as consequências serão pormo-nos a mendigar por não termos a ambição de nos governarmos a nós próprios.
 
É importante os portugueses não deixarem mais que tais entidades que se movem pelo corporativismo, governem novamente o país em nome de interesses estrangeiros. É importante o povo passar a participar activamente na vida política como fazem os Suiços, decidindo o seu próprio futuro democraticamente por referendo e aprovando ou chumbando as leis propostas. A Suiça actualmente possui uma das melhores economias e qualidade de vida na Europa.
 
É urgente regerarmo-nos, é urgente a adesão das multidões a uma causa, a uma ideia, a um plano e a um objectivo rumo à participação livre, responsável, lúcida e solidária, isenta de subterfúgios, secretismos, tensões e separatismos.
 
É urgente a união rumo à equidade e sustentabilidade para a satisfação das necessidades, direitos e anseios fundamentais de todos.
 
Importa que o povo exerça a sua lucidez e estrutura, prepare uma agenda governativa nas suas máximas prioridades que servirão de base de trabalho para podermos traçar uma nova trajectória com a qual a Democracia participativa se identifique.
 
Importa ainda e agora, que cada um pense no que é mais importante fazer, dar-se a conhecer às multidões e formar um verdadeiro corpo social, soberano que é o povo com consciência colectiva.
 
É pois urgente derrubar os pilares que transformaram os nossos dias numa vida doentia e fundar os pilares de uma civilização equilibrada e perene, que são o amor por todos e a sabedoria ao serviço do bem geral.
 
Por muito pudor que tenhamos da ideia de (R)evolução, dada a inevitabilidade, é com ela que temos de lidar com a devida profundidade, quer o sistema colapse por si próprio, quer por acção popular ou outra, de preferência pacífica e popular. Não será novidade nenhuma, porque faz parte do crescimento das civilizações.
 
Que se lixe votar até à “Máquina” que é sustentada pelo povo ser virada a seu favor, pois esse é o seu verdadeiro papel num estado democrático.
 
Eu não traio a minha pátria!
 
 
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