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Toda a verdade sobre o caso Universidade Sénior da Quinta do Conde

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Após vários meses depois das eleições, a guerra política entre as forças partidárias da CDU e do MSU continua bem viva e certas divergências são claramente perceptíveis.
 
Um dos exemplos  é a criação de uma Universidade Sénior da Quinta do Conde, projecto que a associação Movimento Social Utopia Global (MSUG) pretendeu e pretende implementar. Segundo apurámos, para o efeito foi realizada uma reunião com o Presidente da Junta de Freguesia da Quinta do Conde, Vítor Antunes, e dado entrada do processo na Câmara Municipal de Sesimbra.
 
Apesar da Junta ter manifestado ao MSUG a intenção de apoiar o projecto, acabou por querer antecipar-se ao mesmo, através de uma iniciativa própria e autónoma em relação ao projecto da associação.
 
Ambas as partes envolvidas nesta questão têm, nos meios de comunicação social e nas redes sociais, esgrimido argumentos no que toca à legitimidade de um e de outro projecto, e de quem esteve ou não esteve na sua génese.
 
Um dos protocolos assinado pelo MSUG foi com o Rotary Clube de Sesimbra, entidade com a qual a própria Câmara Municipal tem um protocolo assinado no que respeita à Universidade Sénior de Sesimbra.
 
A ideia sustentada por Vítor Antunes, na sua entrevista à Sesimbra FM, de que, à semelhança dos ranchos folclóricos, é possível várias universidades séniores coexistirem na Quinta do Conde, apesar de em termos práticos parecer lógica e razoável, não deixa de ser um sinal de que, no que toca a projectos de cariz social, a Junta não prescinde de se colocar na linha da frente, deixando para quem queira ter as mesmas iniciativas um espaço limitado, em virtude de não ser fácil “competir” com quem tem mais meios.
 
 
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A CDU vê no controlo das associações do concelho e na exclusividade da execução de obras sociais uma mais-valia eleitoral, e o facto de existir uma associação que pretende fazer trabalho social, em prol da comunidade, e que foge ao controlo do partido, é entendida como uma ameaça a tais propósitos eleitoralistas e ao status quo instalado.
 
“Prova cabal e incontornável desta realidade recolhi-a na última Assembleia de Freguesia da Quinta do Conde, em que a CDU, quer pela voz do Sr. Presidente da Junta, quer da bancada representada na assembleia, afirmou que, tratando-se de um projecto que constava do seu programa eleitoral, deve ser a CDU (e não outra entidade) a implementar, na medida em foi a força política mais votada pelos eleitores nas eleições autárquicas.” conta Miguel Ribeiro, representante MSU na Assembleia Municipal.
 
 Aliás, o Comunicado veiculado pela CDU a propósito desta matéria, confirma este estado de coisas, quando se refere ao MSUG (e nas entrelinhas ao grupo político independente “Movimento Sesimbra Unida”) que se trata de «…um grupo que confunde assumidamente a função política com a acção solidária, a anunciar uma universidade sénior», e que o seu objectivo é «…o de se apropriar de projectos alheios visando protagonismo mediático e, eventualmente, alguma oportunidade de negócio.».
 
E a cereja no topo do bolo: «A CDU lamenta o oportunismo, convida os autores a actuar construtivamente pela nossa terra e pelas suas gentes e reafirma a intenção de concretizar os programas eleitorais para as autarquias que em Setembro apresentou aos eleitores e foram maioritariamente votados.». Será a CDU dona e legítima proprietária da ação social e do serviço público? A prioridade não é servir os cidadãos, sejam quais forem os meios e as entidades envolvidas?
 
 
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Vítor Antunes usou a expressão “gato escondido com rabo de fora”  para descrever o caso à Rádio Local e que os membros do MSUG seriam os mesmos  que os do MSU (Movimento Sesimbra Unida). O presidente da junta de freguesia da Quinta do Conde  nunca assumiu verbalmente de se tratar de uma guerra política entre o MSU e a CDU e não conseguiu justificar porque não se opôs ao projecto no início nem  comunicou  intenção eleitoral da CDU nas abordagens.
 
O MSUG terá recebido da Sesimbra FM um convite para participar num debate com a presença de todos os intervenientes e, incompreensivelmente (ou não), à última da hora, a estrutura da entrevista mudou e Vítor Antunes acabou favorecido pelo facto da outra parte não ter tido oportunidade de o confrontar em público.
 
Ora, no ano em que se comemora os 40 anos do 25 de Abril de 1974, a posição assumida pela CDU, que tão vincadamente apregoa aos quatro ventos a liberdade, a solidariedade e a defesa do povo, reflecte uma postura de autoritarismo político, contrário aos valores democráticos saídos da Revolução dos Cravos.