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Sesimbrenses Abrilistas: Tributo a João Augusto Aldeia

JA

Nascido a 19 de Janeiro de 1952, João Augusto das Dores Aldeia,  antigo estudante da Escola Emídio Navarro em Almada na década de 60,  licenciou-se em Economia na  Universidade de Lisboa  (Instituto Superior de Economia).
 
Entre 1972 e 1974,  participava com alguma frequência em movimentos estudantis na luta contra o antigo regime fascista controlado pela PIDE.
 
Apelando o fim da guerra do ultramar e o direito à greve, João Augusto Aldeia, foi um jovem sesimbrense defensor da liberdade e da actual democracia.
 
O descontentamento da população para com o regime ditatoria lmplantado em Portugal na sequência do golpe militar de 28 de Maio de 1926 por Salazar era cada vez mais uma realidade no inicio da década de 70. Haviam diversas perseguições da parte da PIDE a todos os opositores do antigo regime. Muitos eram torturados e assassinados, outros era presos e até exilados, conforme a gravidade de cada acto praticado.

“A prisão de estudantes pela PIDE, nesse tempo, era uma coisa frequente, como pode ser confirmado nos arquivos da PIDE na Torre do Tombo  Conta João Aldeia.
 
Portugal tinha uma política de força, tendo sido obrigado, a partir do início dos anos 60 a defender militarmente o seu território contra os grupos independentistas  Angolanos, Guinienses e Moçambicanos.
 
Juntamente com outros estudantes e colegas da sua geração, João Aldeia, pertenceu a uma organização estudantil chamada “Estar na Luta” que era influenciada pelas ideias do Maio de 68 em França e pela ideologia Maoista.
 
 
João Aldeia
 
O regime  político estava  industrialmente condicionado e resultava no monopólio do mercado português por parte de alguns grupos industriais e financeiros dando consistência à pobreza e impulsionando a emigração dos portugueses em busca de melhores condições de vida.
 
Na altura eram poucos os jovens que tinham acesso às universidades  e  possibilidades de proseguir com os estudos.
 
João Augusto Aldeia foi detido pela PIDE a dia 11 de Março de 1974, durante uma acção de apoio a operários grevistas de Vieira de Leiria. Esteve na prisão de Caxias e saiu em liberdade no dia 11 de Abril do mesmo ano.
 
A revolução de 25 de Abril de 1974, foi uma revolta bem estudada e elaborada pelo povo português e visava a todo o custo  a liberdade.
 
Os principais protagonistas do 25 de Abril de 1974, foram os militares, que se empenharam em concretizar uma revolução perspicaz com o apoio de equipamentos militares, como tanques, armas, e granadas.
 
 

João Aldeia

 
Tudo foi formatado e planeado através de reuniões secretas devido à opressão das forças policiais do antigo regime. A primeira reunião clandestina de capitães  foi realizada em Bissau, em Agosto de 1973.
 
E foi a 9 de Setembro de 1973, no Monte Sobrel, numa dessas reuniões que surgiu o Movimento das Forças Armadas (MFA).
 
Ainda no mesmo mês foram despedidos os generais Spínola e Costa Gomes por se  recusarem a participar numa cerimónia de apoio ao Regime e por terem colaborado com a elaboração do livro “Portugal e o Futuro” que evidenciava o atraso de Portugal face a outros países da Europa e de todo o Mundo.
 
A  reunião clandestina ocorrida a 25 de Março de 1974 intitulada “Reunião da Razão”  ditaria o derrube do regime pela força. No dia 24 de Abril de 1974, véspera da revolução, os militares, comandados por Otelo Saraiva de Carvalho, preparavam os últimos detalhes para o dia em que Portugal se tornaria livre. Instalaram secretamente o posto de comando do movimento golpista no quartel da Pontinha em Lisboa.
 
A Rádio teve um papel importante, ou mesmo fundamental no decorrer da revolta.  Pelas 22h55 foi transmitida a canção “E depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, pelos Emissores Associados de Lisboa, emitida por Luís Filipe Costa. Este foi um dos sinais previamente concebidos, desencadeando a tomada de posições da 1ª fase do golpe de estado não levantando qualquer tipo de suspeita, pois tinha acabado de ganhar o prémio no Festival da Canção.
 
O segundo sinal foi dado ás 00h20, quando foi transmitida a canção “Grândola Vila Morena” de Zeca Afonso, pelo programa Limite, da Rádio Renascença, confirmando o início do movimento de Abril. Quando esta canção se fez ouvir, os militares iniciaram a sua emboscada, tendo este golpe a colaboração de vários regimentos militares. A operação não seria abortada acontecesse o que acontecesse. Uma força do CICA 1,  liderada pelo Tenente-Coronel Carlos Azevedo toma o Quartel-General da Região Militar do Porto com o apoio de outras forças vindas de Lamego. As Forças do BC9 de Viana do Castelo tomaram o Aeroporto de Pedras Rubras e as Forças do CIOE tomaram a RTP e o RCP no Porto.
 
 

João Aldeia

 
O Terreiro do Paço foi ocupado nas primeiras horas da manhã. Salgueiro Maia, um dos capitães de Abril, moveu mais tarde, parte das suas forças para o Quartel do Carmo, onde se encontrava o chefe do Governo, Marcello Caetano, rendendo-se, e fazendo, contudo, a exigência de entregar o poder ao general António Spínola.
 
A vitória apesar da revolução ser frequentemente qualificada como “pacífica”, resultou, contudo, na morte de 4 pessoas, quando elementos da PIDE dispararam sobre um grupo que se manifestava, em Lisboa registando-se 45 feridos. A população não tinha conseguido ficar em casa e saiu às ruas para manifestar o seu apoio à causa do MFA: libertar o país da repressão a que esteve mergulhado mais de 40 anos.
 
Após o 25 Abril, João Augusto Aldeia fundou em Sesimbra a Associação Sesimbrense de Cultura Popular e o jornal Povo de Sesimbra.
 
Aderiu ao partido MRPP, grande adversário do MDP e PCP, que dominavam a Câmara de Sesimbra. Mas no final de 1976 saiu do MRPP e ababeijou a militância partidária. Fundou o primeiro blog sobre Sesimbra.
 

Desde Julho de 2008 foi director de O Sesimbrense, saindo em Janeiro deste ano por divergência sobre a linha editorial, com os actuais responsáveis da Liga dos Amigos de Sesimbra.