web analytics

Autarquia de Sesimbra revela-se incapaz de recuperar turistas perdidos e reerguer economia local

Sesimbra

A passagem de ano em Sesimbra voltou a ter uma acentuada descida no fluxo de visitantes face ao ano anterior. Sesimbra atravessa uma das maiores crises turísticas e económicas da sua história, o Verão de 2013 foi sombrio para os empresários da região e há quem creia que os tempos que se avizinham ainda vão ser piores, são cada vez mais os que são obrigados a fechar portas e procurar outras alternativas geográficas para investir.
 
Quem ainda mantém o negócio, não esconde o seu desagrado pelo escasso movimento na vila e falta de freguesia que aumenta ano após ano. A necessidade da Autarquia angariar fundos para pagar as dívidas adquiridas e feitas nos últimos anos resultou numa brusca integração de parquímetros em quase todas as avenidas da Vila a 1,50 euro por hora. Após a época balnear, Sesimbra  formata um cenário que cada vez mais se assemelha com uma vila fantasma. “Algo vai mal e não são só os tempos que correm, os interesses de alguns prejudicaram todos” dizem alguns sesimbrenses que preferem manter o seu anonimato.
 
Augusto Pólvora, Presidente da Câmara de Sesimbra, a cumprir o seu segundo mandato consecutivo pela CDU e reeleito em Setembro por uma minoria votante face aos números de eleitores que se abstiveram, disse em 2006 ao Jornal de Notícias que “Sesimbra tinha tudo para dar certo” fazendo um balanço positivo para o futuro após uma iniciativa que permitiu dar uma imagem desconhecida de Sesimbra, além do tradicional Sol e Praia e que surgiu na sequência da participação de Sesimbra na Bolsa de Turismo de Lisboa.
 
Ainda no mesmo ano, o ainda vereador das Actividades Económicas, José Polido, referiu à imprensa a criação do Turifórum como sendo um grupo de trabalho composto pela Câmara e alguns empresários do concelho que visava delinear uma estratégia rumo ao desenvolvimento turístico local e para que Sesimbra pudesse aparecer turisticamente no mapa ibérico, pouco tempo depois surgiu a campanha “Sesimbra é peixe” ostentando uma insígnia de Capital Portuguesa do Peixe.
 
Em 2007, sem qualquer tipo de resultados e após várias receitas terem sido aplicadas no desenvolvimento da respectiva estratégia, Augusto Pólvora veio a público dizer num boletim municipal que o impacto da estratégia fora positivo, afirmando que Sesimbra seria, hoje, o principal destino turístico da Costa Azul e o único destino internacional da região.
 
 
Augusto Pólvora
 
Não é por se insistir verbalmente numa coisa que ela se torna verdade, passaram-se 6 anos sem que houvesse progressos ou aproximação de metas necessárias à estabilização da economia local. Sesimbra continua a perder turistas para outras regiões com o mesmo potencial e a campanha “Sesimbra é Peixe”, revela-se ineficaz e praticamente ausente, incapaz de inverter qualquer situação por estar só a ser promovida dentro de portas e na internet, em sites autárquicos, através de um logotipo apenas.
 
No site sesimbra.pt da Autarquia pode-se ler alguns dados conclusivos referentes à captação de mercado turístico.
 
“Em termos gerais, existe alguma falta de dinâmica na captação do mercado turístico, não obstante as acções levadas a cabo pela Câmara e TuriFórum, sendo necessário actuar ainda ao nível dos materiais de divulgação (para o turista/operadores) e na estruturação da oferta turística (estratégia)”
 
O peso excessivo da autarquia, como grande empregador e a fragilidade da sociedade civil e desemprego fizeram com que, Sesimbra se acomodasse e se esquecesse do futuro e por sua vez estrangulassem a capacidade crítica com as dependências que deliberadamente criaram junto da imprensa local, dos organismos associativos e de tudo aquilo é permeável à lógica dos subsídios.
 
Felícia Costa, Vereadora do Turismo e Cultura em Sesimbra parece estar a apostar tudo no Carnaval. Não é segredo para ninguém na vila  que a Autarquia se empenhou na criação de mais escolas de samba e tem vindo a apoiar incondicionalmente o Carnaval com milhares de euros, instrumentos e sedes, justificando que tem um impacto positivo  nas estruturas associativas do concelho, na economia local, nos restaurantes, nos bares e noutros estabelecimentos e também em termos culturais.
 
«Esperamos que este ano aconteça o mesmo e que Sesimbra volte a ter uma grande enchente na terça-feira de Carnaval» adiantou a Autarca numa entrevista dada  sobre a tolerância de ponto  na terça-feira de Carnaval em 2013.
 
 
Sesimbra
 
Apesar de ser só uma semana, o Carnaval tem tido uma quebra de movimento acentuada face aos anos anteriores, todos os anos verifica-se uma descida significativa de participantes e  de visitantes, o desfile de Verão e outros eventos relacionados, estão longe de cumprir objectivos e de captar o mercado turístico que Sesimbra tanto precisa para renascer.